Hospital da Mulher do Agreste é 1º da região a implementar protocolo de assistência a perda fetal
O Hospital da Mulher do Agreste (HMA), em Caruaru, está sendo o primeiro da região, em Pernambuco, a implementar o protocolo de assistência e humanização durante a perda fetal. A medida atende à Lei nº 15.139/2025, que institui a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental, respeitando e efetivando, portanto, leitos separados para essas famílias e ofertando uma assistência digna e acolhedora.
A pesquisadora responsável pelo desenvolvimento e aplicação do protocolo de assistência e humanização durante a perda fetal, no HMA, Nycarla Bezerra, enfatiza que a implementação promove um ambiente respeitoso, assegurando o direito à escuta, ao acolhimento e ao luto digno. Garantindo, ainda, suporte emocional, psicológico e legal. Ela destaca, assim, a importância de uma equipe qualificada e preparada para este tipo de cuidado e assistência.
Quem perde um bebê, ainda durante a gestação ou logo após o nascimento, vive um luto, por vezes, invisibilizado pela sociedade, como acrescenta a também enfermeira obstetra e supervisora do PPP (Pré parto, Parto e o Pós parto) do HMA, Nycarla Bezerra. Doutoranda e mestre em enfermagem, a profissional foi responsável pela pesquisa de mestrado “Percepção dos pais que vivenciaram a perda pelo óbito fetal”, bem como, atualmente, pelo desenvolvimento da tese de doutorado, dentro do HMA, “Qualificação dos profissionais na assistências às famílias diante a perdas fetais através da criação de uma tecnologia educacional”.
A doutoranda Nycarla Bezerra acresenta que a experiência a fez enxergar de forma muito mais sensível e profunda o quanto esse momento impacta não apenas os pais, mas toda a rede de cuidado em torno deles. “Para mim, tem sido de extrema importância, desde o mestrado, pesquisar e compreender a vivência das famílias diante das perdas fetais. Agora, no doutorado, tenho me dedicado a estudar a qualificação dos profissionais de saúde frente a essas situações. Cuidar de quem cuida também é essencial, pois oferecer uma assistência humanizada e direcionada às famílias que vivenciam perdas fetais exige preparo, empatia e suporte institucional”, considera.
A profissional reconhece ser este um campo desafiador, emocionalmente exigente, mas também extremamente necessário. “Ao mesmo tempo, me sinto muito motivada ao ver que estamos avançando, especialmente com a implementação de um protocolo voltado para esse cuidado dentro do nosso serviço. Essa é uma conquista significativa, que reflete não só o compromisso com a pesquisa e a formação, mas, principalmente, com o acolhimento e o respeito às famílias que passam por esse momento tão delicado”, pondera.

