Mudança no Simples Nacional exige atenção dos microempreendedores em Pernambuco

Mudança no Simples Nacional exige atenção dos microempreendedores em Pernambuco

Nova regra da Receita Federal pode tirar MEIs do Simples Nacional. Especialista alerta para o risco de aumento na carga tributária

A Receita Federal alterou recentemente as regras do Simples Nacional e isso pode impactar diretamente a vida de quem atua como microempreendedor individual (MEI). Desde outubro, os rendimentos de pessoas que têm CNPJ e também prestam serviços como autônomos passaram a ser somados. Ou seja, receitas de fontes diferentes, como pagamentos via Recibo de Pagamento a Autônomo (RPA), alugueis e aplicações financeiras, agora entram na conta do faturamento total anual do MEI.

A mudança foi oficializada pela Resolução CGSN nº 183/2025 e altera o entendimento anterior, que separava as receitas da pessoa física e da jurídica. A medida não considera salários de carteira assinada, aposentadorias e pensões.

Quem explica melhor essa mudança é a contadora Azenate Xavier, especialista em Reforma Tributária. Ela alerta que, com a nova regra, o risco de desenquadramento do MEI aumentou. “Muita gente atua de forma híbrida: tem um CNPJ e, ao mesmo tempo, presta serviços como autônomo. Antes, essas receitas eram vistas de forma separada. Agora, tudo entra no mesmo cálculo. Se a soma passar de R$ 81 mil no ano, o MEI perde o enquadramento e passa a pagar mais impostos, além de assumir novas obrigações fiscais”, afirma.

Para evitar problemas com o Fisco, a recomendação da especialista é clara: organização. “É fundamental acompanhar o faturamento mês a mês, guardar os comprovantes e buscar apoio de um contador antes de fechar novos contratos. Planejar é a melhor forma de evitar surpresas”, aconselha Azenate.

A contadora lembra ainda que essa é apenas uma das mudanças em curso no Simples Nacional. A partir de 2026, está prevista uma transição para um novo modelo de tributação, com a possibilidade de escolha entre o atual Documento de Arrecadação do Simples (DAS) e um sistema com tributos separados, a CBS e o IBS. A novidade foi instituída pela Lei Complementar 214/2025.

“É uma mudança que exige preparo, mas também representa uma oportunidade de crescimento. Quem estiver com a contabilidade em dia e a gestão profissionalizada vai ter mais chances de aproveitar esse novo cenário com segurança e estabilidade”, finaliza Azenate Xavier.

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